
Nesses últimos dias ando meio nostálgica. Desde ir ao cinema assistir a mais nova versão do velho desenho de infância, até lembrar dos amigos que a tempos não vejo. E é mesmo intrigante o tempo.O melhor é decifrá-lo subitamente nas brechas dos afazeres, grandes divagações acerca de sua exata definição, já significam seu desperdício.Então aí vão algumas breves palavras:Pra mim,o segredo do tempo é consumi-lo sem percebê-lo.É fingir-se infinito para não o vermos passar.É fazer-se contar em anos em vez de momentos.Relógio, despertador, cronometro, calendário;tudo engodo para imaginarmos prendê-lo, controlá-lo.A ampulheta, se pensarmos bem ,é o único instrumento sincero do tempo porque regressivamente nos impõe a gravidade de haver realmente um último grão riscando nossa linha de vida.O tempo , além de tudo, é imparcial; não distingue rico de pobre.Preto de branco, homem de mulher.Devora-se sem escolhas. Pra tal dilema não há solução,matar o tempo é matar-se .Perdê-lo é viver em vão. Contentemo-nos ,porque ainda por cima é arisco; faz-se devagar nos maus momentos., depressa quando o queremos.É o ponteiro invisível da vida.Peça necessária do fim.A sua fome é insaciável.A sua vontade é determinante.A sua procura é unânime.Se esconde nos objetos que nã servem mais,nas pessoas que nunca mais vimos,ou tocamos,na podridão das frutas que não foram colhidas.Nas lembranças já esquecidas.Revela-se nas fotos que se desbotam nas cartas que amarelam.Nas crianças que crescem,nas rugas.Mas temos que admitir, essa mesma fugacidade deixa-nos a esperança nas ações dos que ão de vir,é ajuda para que creamos no que está além dos segundos missíveis.Magnificamente indecifrável,ele segue girando nossas vidas...